Você já ouviu falar de Plutão, certo? Mas, e se eu te disser que a maior lua dele, Caronte, tem quase metade do tamanho do próprio planeta anão?
Caronte é a maior lua de Plutão e tem cerca de metade do diâmetro do planeta anão, tornando esse par único no Sistema Solar.

Quer entender por que essa lua deixou cientistas tão intrigados? Aqui, você vai direto ao ponto: como Caronte se formou, a relação com Plutão e o que a sonda New Horizons revelou.
Prepare-se para algumas curiosidades que podem mudar sua visão desse sistema distante.
Caronte: A Maior Lua de Plutão
Caronte tem cerca de metade do diâmetro de Plutão. Marcas geológicas visíveis, como a mancha polar escura Mordor Macula, saltam aos olhos.
Ela forma com Plutão um centro de massa fora do planeta, o que faz desse par algo quase binário.
Descoberta e Origem de Caronte
Caronte foi descoberta em 1978 por James Christy. Ele notou uma protuberância nas imagens de Plutão.
Imagina só: uma pequena “salientação” nas fotos levou à confirmação de uma lua. O nome foi inspirado no barqueiro Caronte da mitologia, sugerido por Christy em homenagem à esposa Charlene (“Char”).
Estudos indicam que Caronte pode ter surgido após um grande impacto entre Plutão e outro corpo. Essa hipótese se encaixa bem quando se olha para o tamanho e a composição da lua.
A missão New Horizons, em 2015, trouxe dados que reforçam essa ideia. As imagens revelaram crateras e detalhes geológicos impressionantes.
Relação Única com Plutão: O Sistema Binário
Caronte e Plutão giram sincronizados, sempre mostrando as mesmas faces um ao outro. O baricentro desse par fica fora de Plutão.
Isso faz o sistema funcionar como um binário, não apenas como planeta e satélite. Muda totalmente a maneira de pensar sobre órbitas ali.
A interação gravitacional entre Plutão e Caronte afeta as outras luas menores: Hidra, Nix, Cérbero (Kerberos) e Estige (Styx). Essas luas menores têm órbitas estáveis, mas não estão imunes às trocas de momento angular do par principal.
A New Horizons também sugeriu que marés antigas e trocas de calor interna podem ter influenciado a evolução orbital.
Características Físicas e Superfície de Caronte
Caronte mede cerca de 1.200–1.214 km de diâmetro, quase metade de Plutão. Sua superfície é dominada por gelo de água, bem diferente do gelo de nitrogênio e metano de Plutão.
Isso deixa Caronte com texturas mais rochosas e formas geológicas bem evidentes. A missão New Horizons mostrou vales profundos, falhas tectônicas e a famosa Mordor Macula no polo norte.
Essa região escura pode conter materiais orgânicos complexos, talvez depositados por partículas vindas de Plutão, ou criados ali mesmo. A topografia aponta para um passado geologicamente ativo, com movimentos de gelo e colapsos de terreno.
As Outras Luas de Plutão
Além de Caronte, Plutão tem quatro luas menores: Nix, Hidra, Cérbero (Kerberos) e Estige (Styx). Essas são bem pequenas — Nix e Hidra, por exemplo, têm formatos irregulares e diâmetros de poucas dezenas a centenas de quilômetros.
Elas refletem menos luz e têm superfícies diferentes de Caronte. A New Horizons mostrou que Nix e Hidra têm regiões claras e escuras, com terrenos acidentados.
Kerberos e Styx são ainda menores e menos estudadas, mas fazem parte do mesmo sistema dinâmico. É provável que tenham origem no mesmo evento de formação de Caronte ou sejam restos capturados após o impacto.
Formação e Evolução do Sistema Plutão-Caronte
Plutão e Caronte surgiram num processo onde impacto, gravidade e marés se misturaram. A história envolve uma colisão no Cinturão de Kuiper e um proto‑Caronte que ficou temporariamente ligado a Plutão.
As interações desse começo ainda moldam as órbitas atuais.
Teoria do Beijo e Captura
A teoria do beijo e captura sugere que Plutão e um proto‑Caronte colidiram de modo menos violento do que se pensava antes. Em vez de se fundirem por completo, os dois corpos — cheios de gelo e rocha — ficaram grudados por um tempo.
Esse contato formou um objeto bicéfalo, que depois se separou, mas manteve o laço gravitacional. Pesquisas da Universidade do Arizona, publicadas em Nature Geoscience, mostram que a resistência do gelo e da rocha mudou a dinâmica da colisão.
Dá pra imaginar os dois corpos girando juntos por horas antes de se afastarem. O resultado: um sistema dual, com o baricentro fora de Plutão.
Colisão Cósmica e Efeitos na Origem das Luas
Uma colisão planetária no Cinturão de Kuiper criou detritos que deram origem às pequenas luas de Plutão. No cenário do beijo e captura, a colisão não destruiu totalmente os objetos.
Grande parte da composição original de Plutão e do proto‑Caronte sobreviveu. O impacto aqueceu os dois corpos por dentro.
Esse calor, somado ao atrito das marés, pode ter permitido a existência de um oceano subsuperficial em Plutão. Não seria necessário um calor extremo do início do Sistema Solar.
Erik Asphaug e outros especialistas sugerem que esse modelo explica por que Caronte ficou tão grande e como as pequenas luas se formaram dos restos.
Resonância Orbital e Forças de Maré
Depois da separação, marés e ressonâncias orbitais ajustaram o sistema até chegar à rotação síncrona atual. Plutão e Caronte giram de modo que sempre mostram a mesma face um ao outro.
Isso aconteceu por perda de energia causada pelas marés, que realocaram o momento angular. O baricentro entre os dois mostra que as massas são relativamente próximas.
Isso afeta a estabilidade e as ressonâncias com as outras luas. Ressonâncias orbitais ajudam a manter as pequenas luas em trajetórias estáveis e influenciam a evolução de longo prazo do sistema de Plutão.
Exploração Espacial e Novas Descobertas
A sonda New Horizons trouxe imagens e dados valiosos sobre as superfícies, geologia e composições de Plutão e Caronte.
As observações mostraram diferenças marcantes entre áreas geladas e regiões escuras de Caronte.
Também revelaram estruturas que sugerem atividade geológica antiga.
Telescópios como o James Webb seguem investigando, junto com pesquisas da Universidade do Arizona, a teoria do beijo e captura.
Ainda vamos ver novas missões e simulações numéricas tentando desvendar mais detalhes sobre o proto‑Caronte.
Esses estudos buscam entender colisões no Sistema Solar externo e a evolução dos mundos gelados no Cinturão de Kuiper.